Entenda o seu perfil: Como escolher o tênis pela posição em quadra
A dinâmica do handebol exige que a escolha do tênis esteja diretamente ligada à posição do atleta e ao seu biotipo. Jogadores de ponta e armadores mais leves, que vivem de infiltrações rápidas e contra-ataques, precisam de calçados de perfil baixo (low-to-the-ground) para não perderem tempo de resposta. Nesses casos, modelos como o ASICS Blast FF 3 são ideais, pois entregam agilidade máxima e contato mais próximo com a quadra, permitindo fintas velozes sem peso extra.
Por outro lado, pivôs e defensores centrais atuam no “olho do furacão”. São atletas geralmente mais pesados, que sofrem bloqueios constantes, trombadas e disputas por espaço na linha de 6 metros. Para esse grupo, tênis estruturados e com amortecimento máximo são inegociáveis. O adidas Stabil Next Gen exemplifica perfeitamente essa necessidade, atuando como uma base larga e estável que absorve o tranco das quedas pesadas e não cede durante o contato físico intenso.
Estabilidade e contenção lateral: O diferencial que previne lesões
No handebol, correr em linha reta é apenas uma fração do movimento; o jogo é decidido em deslocamentos laterais, paradas em um tempo e mudanças abruptas de direção. Se o cabedal do tênis for muito maleável, o pé do atleta “vaza” para fora da sola durante a frenagem, resultando em torções graves de tornozelo.
Tênis de alta performance utilizam tecnologias específicas para travar o pé. Placas rígidas no arco do pé (como o TURNTRUSS da ASICS) e paredes termoprensadas (como as do adidas Stabil) garantem que a estrutura não se deforme sob pressão. Já em modelos de entrada, como o T-Shoes T-Challenger, o tecido do cabedal cede consideravelmente, o que exige amarração redobrada e limita o calçado a um uso puramente recreativo e menos explosivo.
Amortecimento vs. Responsividade: Qual o equilíbrio ideal?
Muitos jogadores acreditam que o melhor tênis é sempre o mais macio, o que é um grande mito nos esportes indoor. Uma entressola excessivamente macia pode causar instabilidade e afundamento do pé na hora do salto, atrasando o tempo de reação. É preciso encontrar o equilíbrio entre proteger os joelhos e manter a propulsão.
Entressolas mais firmes, como a espuma FLYTEFOAM Propel, focam na responsividade — elas absorvem o choque inicial, mas rebatem a energia rapidamente para o próximo movimento. Tecnologias como o BOOST da adidas oferecem um nível de maciez profundo, excelente para aterrissagens pesadas de atletas de grande porte. Se você está em dúvida, tecnologias como o clássico GEL da ASICS, presente no Gel-Rocket 12, costumam ser o meio-termo perfeito para o atleta amador, fornecendo absorção de impacto competente no calcanhar sem comprometer a estabilidade frontal.
Calçados indoor vs. outdoor: O perigo das escolhas erradas
Um dos maiores erros observados entre iniciantes é o uso de tênis de corrida convencional ou de trilha em quadras poliesportivas. Embora modelos de corrida de rua tenham bom amortecimento, eles são projetados para movimentos unidirecionais. A altura elevada da entressola de um calçado de corrida cria uma alavanca perigosa para o tornozelo em movimentos laterais.
O cenário piora com tênis de trail running, como o Olympikus Neblina. Os cravos de borracha espessos desenhados para agarrar na terra reduzem drasticamente a área de contato em pisos lisos (madeira ou taraflex), transformando a quadra em um rinque de patinação e gerando um enorme risco de quedas. Para esportes de quadra, busque sempre solados com ranhuras específicas para indoor, muitas vezes identificados com o selo non-marking (não marca o piso), como vemos no Adidas Ligra 8.
Cuidados e manutenção: Como prolongar a vida útil do seu calçado
Tênis de handebol utilizam compostos de borracha muito macios para garantir o “grip” máximo em quadras polidas. Se você usar esse mesmo tênis para caminhar no asfalto ou em superfícies abrasivas de concreto, o solado derreterá e perderá os frisos de tração em questão de poucas semanas. O ideal é calçá-lo apenas ao entrar no ginásio.
Durante o jogo, em quadras mais antigas ou empoeiradas, é comum a sola atrair sujeira, reduzindo a aderência — algo frequentemente relatado por usuários do Gel-Rocket 12. Limpar a sola com as mãos ou em um pano úmido no intervalo ajuda a restaurar a tração instantaneamente. Após o uso, retire as palmilhas (caso sejam removíveis) e deixe o tênis secar à sombra em local ventilado. Nunca coloque seu tênis esportivo em máquinas de lavar, pois a imersão e a agitação destroem colas estruturais e desgastam tecnologias de suporte do cabedal.
Perguntas frequentes
Tênis de vôlei e futsal servem para jogar handebol?
Sim. A maioria das grandes marcas categoriza esses calçados como “Esportes Indoor” (ou Court Shoes). Tanto o vôlei quanto o squash, futsal e handebol demandam características muito similares: solado non-marking, tração para pisos polidos e estabilidade lateral. Modelos icônicos de vôlei, como a linha Asics Gel-Rocket ou o Adidas Ligra, são amplamente e perfeitamente utilizados por praticantes de handebol.
Qual a diferença entre amortecimento GEL e BOOST?
O GEL (tecnologia da ASICS) é um composto inserido em zonas estratégicas, geralmente no calcanhar e na ponta do pé, focado especificamente na absorção e dissipação do choque durante a aterrissagem. Já o BOOST (tecnologia da adidas) é composto por milhares de partículas de poliuretano termoplástico expandido que formam a entressola inteira, oferecendo não apenas muita maciez para atenuar aterrissagens pesadas, mas também uma alta devolução de energia ao longo de todo o pé.
Por que alguns tênis de handebol não precisam ser tão macios?
No handebol, a reação de milissegundos é vital. Uma entressola extremamente macia age como um “colchão”, absorvendo muita força, mas dissipando a energia que o jogador usaria para acelerar. Jogadores mais leves e de posição de ponta costumam preferir entressolas mais firmes e reativas, pois elas permitem que a força aplicada no chão seja imediatamente convertida em velocidade para o arranque, além de oferecer melhor leitura de contato da planta do pé com o piso (court feel).
O que significa um solado “Non-Marking”?
Um solado non-marking é fabricado com uma mistura especial de borracha que não deixa aquelas marcas ou riscos escuros nas quadras de madeira envernizada ou piso sintético brilhante durante frenagens bruscas. É uma exigência na maioria dos ginásios profissionais para fins de manutenção, e marca presença constante em linhas de entrada (como o Ligra 8) e modelos premium.